domingo, 2 de outubro de 2011


A articulação do joelho esta envolvida em cerca de 50% das lesões musculoesqueléticas e são muito comuns no dia a dia por ser constantemente submetido a grandes esforços, com isso a queixa de dor e instabilidade são os principais sintomas que os pacientes referem.
A principal função das cirurgias em joelho é estabilizar e fornecer condições para que ocorra completa recuperação do ponto de vista funcional. Para isso, a fisioterapia, através de seus efeitos fisiológicos e terapêuticos tem se mostrado muito importante na melhora da funcionalidade da articulação que foi submetida ao procedimento cirúrgico.
            Os cirurgiões em geral concordam que a fisioterapia tem um papel equivalente ao ato cirúrgico no resultado funcional final.
Os conhecimentos sobre as patologias do joelho sofreram grandes avanços nos últimos anos. Em consequência, várias técnicas cirúrgicas e vários protocolos de tratamento fisioterapêuticos vêm sendo desenvolvidos. Dependendo da conduta ortopédica, os protocolos de reabilitação podem variar quanto ao início dos procedimentos, os exercícios e técnicas a serem aplicadas.
A reabilitação deve seguir alguns passos, como na proteção das estruturas lesadas, ganho completo da amplitude de movimentos, prevenção da atrofia muscular, melhora da força muscular, função proprioceptiva (equilíbrio articular), retorno a diferentes atividades do “dia a dia” ou ao esporte se for o caso.
De um modo geral, considera-se que o joelho operado, comporta-se como se estivesse sendo submetido a um período agudo de “artrite” inflamatória, pois as estruturas após a manipulação instrumental estão realmente edemaciadas, inflamadas e com pouca capacidade funcional.
Geralmente, o paciente que passa por uma cirurgia no joelho apresenta atrofia do quadríceps (musculatura da coxa), resultando num aumento de força aplicada na superfície patelar, gerando uma limitação na amplitude do movimento articular, por isso o dilema do repouso da articulação deve ser avaliado com bom senso, não devendo ser em excesso, assim como o início dos exercícios para fortalecer os músculos da coxa, que precisam ser realizados para garantir uma estabilidade articular.
Dependendo da correção cirúrgica realizada, o fisioterapeuta terá que ensinar o paciente a andar de uma maneira correta, às vezes com órteses auxiliares.
Um bom parâmetro para o início dos exercícios de mobilização é a diminuição das dores, do edema e do derrame articular.
Mesmo as articulações em processo agudo de “inflamação”, podem/devem ser submetidas a exercícios passivos cuidadosos (com o fisioterapeuta mobilizando a perna sem a contração ativa realizada pelo paciente) ou ensaiar exercícios ativos, bem leves. Essa mobilização inicial deve ser dosada conforme as dores e o desconforto do paciente.
Em geral, as normas de todos os serviços dão ênfase à mobilização que dá mais confiança ao paciente, induzindo-o a testar por si mesmo a movimentação cautelosa da articulação, a menos que receba ordem contrária e expressa.
Os esforços da reabilitação são dirigidos ao fortalecimento do quadríceps e à manutenção da amplitude dos movimentos do joelho, sem dor. Apesar de o paciente frequentemente afirmar que joelheiras de diversos tipos diminuem a dor na evolução dos processos cirúrgicos, a verdade é que a imobilização, obtida por essas órteses pode causar um aumento da atrofia do quadríceps. Se a finalidade do uso da joelheira for estabilizar a articulação, novamente o bom senso deverá prevalecer, avaliando as vantagens e as desvantagens do procedimento, em relação à evolução do ato cirúrgico.
Tão importante quanto a boa técnica cirúrgica no tratamento de certas afecções do joelho, é a reabilitação pós-operatória.
O grande desafio da reconstituição ortopédica das estruturas do joelho tem sido resolvido através da cirurgia e o problema da reabilitação da função da articulação depende do tratamento através da fisioterapia desde o pós-operatório imediato até a reabilitação funcional completa do paciente.
Dr. Emmanuel Ricardo Schmidt
Fisioterapeuta
CREFITO – 53079

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